sábado, 21 de setembro de 2013


Simples, assim...


Ontem, estava nevoento o meu dia
Toda emoção envolta num casulo.
Hoje é diferente.Concedi-me alforria
Pintando cores no que era escuro.


Ontem, não amava, não me permitia
Voar além do meu campo de ilusão.
Hoje, meus olhos reverberam energia
No pulsar valente do meu coração.


Será isso a felicidade? Quem diria!
Acordar e ter do mundo nova visão.
O ontem transmutado pela alquimia
Do amor que floresce no meu chão.


-Helena Frontini-







 
Promessa primaveril...

Diz-me em qual primavera tu voltarás
Trazendo-me flores em braçadas
Anunciando teu amor em gargalhadas
Cumprida a promessa de tempos atrás?

Todas as estações fluíram hora a hora
E meu riso desfez-se em pranto.
Deixe-me gritar teu nome com espanto
Antes que outra primavera vá embora.

-Helena Frontini-

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

 
Marinho...


Traze-me aqueles búzios, que aos meus ouvidos

Marulham as profundezas de teu intrépido mar.
Deixa teus rastros de areia em meus sentidos
Quando te achegas, vibrante como a preamar...



Tuas ondas esparramam-se e atingem o leito
Onde nos engolfamos no sal da paixão.
Rolam meus fluidos na voragem dos desejos
Abrigados na concha macia de tua mão...


-Helena Frontini-
 
Sensibilidade


Quando a alma está leve e a doçura do amor irradia
Até uma pétala de flor é motivo para vibrar como criança.
Que a pureza do dia te envolva num manto de esperança
E a magia de viver seja sua mais dileta companhia.


-Helena Frontini-
 
Paixão


Você transformou o seu destino, para nos livrar
das iniquidades que distorcem nossas vidas.
Você nos deu preceitos e formas de amar
humanamente envolvido nesta cruzada bendita.


Você nos ensinou a justiça, o bem, a caridade
e perdoar com a alma de onde emana toda a luz.
Você nos deu atos e palavras solenemente lapidadas
até se transformarem em Amor Puro e nada mais.


Acabou preso na ingrata política e suas veleidades
com seu esplendor idealista afixado numa cruz.
Cumprida a missão tão arduamente conquistada
retorna Divinizado aos braços amorosos do Pai.



-Helena Frontini-
 
A cítara e o menestrel

Teu corpo definido é uma cítara rara, pronta a ser dedilhada por teu destro menestrel. Uma melodia nasce bem elaborada e descompassa e desarma minha lassidão. Harpejo sem pudores, pelos teus contornos, que defino e afino nos timbres breves e semibreves que se tornam som. A música extasiante, cresce e decresce em seus acordes graves-agudos e nos mantém enlevados, até a derradeira nota estremecer no ar.O gran finale allegro maestoso, quando nos tornamos um só instrumento afinado e vamos acordar os anjos, que nada sabem de paixão.


-Helena Frontini-
 
 
Emblema...


Não te afastes de mim, numa viagem sem volta.
Assinale em todas as cartas de navegação
O porto hospitaleiro, onde fincastes teu coração
Hasteado como bandeira, no umbral da minha porta!



-Helena Frontini-

sábado, 17 de março de 2012



Deserdado


Procuro dentro de mim, emoções para te lembrar.
Vou até o cerne, descasco troncos e raizes
Numa utopia fremente por algo de bom encontrar
Que purifique o sofrimento e as cicatrizes.


Dói-me a alma, exacerba-se meu intento.
Escarafuncho, mais e mais fundo para desentocar
O bicho que fostes, devorador de meus sentimentos!
Nada sai de mim, nem mesmo um riso de esgar...


-Helena Frontini-

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012




Novo mundo


Vem, dá-me a tua mão e vamos embora
Há um mundo todo novo à descobrir.
Deixe que os trilhos de destino nos levem
Ao desejo, que ambicionamos, os dois...


Não te detenhas no passado que deploras
Ou no presente que determina teu agir.
Nasceu o tempo dos sonhos que acontecem
A hora é agora!...Não antes, nem depois.


-Helena Frontini-


Decifra-me, se puderes!


Se nunca me falas, como é que vou saber
dos teus quereres ou de tua reprovação?
Por vezes leio teus olhos, por vezes, não...
Teu silencio quase me faz enlouquecer
Detesto brincar de adivinhação!


-Helena Frontini-

domingo, 12 de fevereiro de 2012



Entressafra


Minha poesia tem períodos de entressafra,
assim como as lavouras, aradas e colhidas
repousam à espera da nova plantação.
Um ciclo encerra-se, fecundo e abençoado
alimentando o afã que me devorava.
Outros virão, pois poeta tem fome abstrata
de arte, lirismo, imaginação...


Todo campo, incessantemente cultivado
com sementes iguais, degenera infecundo,
a terra gasta, clama preparo e diversificação.
Quando o grão é colhido se faz nutrição,
Depois há o saciar e o comedimento profundo...
A nova poesia germina no solo restaurado
gerada no húmus fértil da inspiração.


-Helena Frontini-


Sensações


O sono envolve meu corpo sem apelos.
A mente flutuando num espaço branco
Sonha em cornucópias aleatórias
Alumbrada, sem diretriz e sem medo.


Tua mão pesada repousa em meu flanco
Resvala, tesa como o teu desejo...
Desfaço-me daquela sensação imaginária
Para a real urgencia dos teus beijos.


-Helena Frontini-


O fá e a diva...


O assombro de mirar-te a primeira vez
grudou-se em minha retinas como tinta,
saida da palheta de um pintor enamorado.
Teu vulto esguio, a cabeça coroada de altivez
atirou-me um olhar alheio e desatento...
_Eu, mais um, na multidão ensandecida!


Fostes embora para teu reino cinematográfico
acompanhada de fãs e arautos vigilantes...
Rainha aprisionada à própria fama!
Adorei-te as espáduas, os cabelos a luzir
e uma lágrima brilhou ensimesmada.


Nunca mais estarei tão perto de ti, bela diva
e nunca saberás da paixão idolatrante
nem dos beijos, em tua foto, antes de dormir!


-Helena Frontini-


Aprendiz


Saber de amor, eu já sabia...
O que não imaginei foi este furacão
que engoliu todas as temeridades
em seu rastro de paixão!


-Helena Frontini-


Pânico


Tudo me escapa e se arrasta em desvario
No medo que desenrola seu fino aguilhão.
Até mesmo o verso, ainda mero arremedo
Prende-se ao ventre sem ânimo de parir.
Minha poesia é vela gasta até o pavio
E o sentimento arde-me à flor da pele,
Arrepiando os pelos da inquietação.


O pânico regurgita seus eflúvios azedos
Num travo que jamais desejei sentir.
Mas, vem desembestado e me fere
No corpo, na alma e na inspiração.


-Helena Frontini-

terça-feira, 24 de janeiro de 2012



Antecipação...


Tu fostes embora e eu fiquei...
O mundo não se acabou, como pensei
E tudo continua igual, fora de mim.
As mesmas flores decoram o jardim
A mesma vida, nasce, cresce, envelhece
Sob o mesmo sol que reluz e anoitece.


Meu coração pulsa fora do compasso
Agitado, à espera dos teus passos,
Enquanto os olhos vertem gotas irizadas
prenhes de saudades, não lapidadas.
Abdico do tempo que me foi dado
para reencontrar-te, meu bem amado.


-Helena Frontini-


Moto - contínuo


Não é pelo fato de eu me anular
que o resto do mundo hesita comigo
Lastimando meu ato de rejeição.

Tudo segue célere, seu rumo definido
enquanto me visto de autocompaixão
Prossegue a roda da vida a girar.


-Helena Frontini-

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



Sempiterno


Passa o tempo no caminhar das horas
levando a juventude a beleza e a graça.
Mas, o amor que sentimos e nos enlaça
permanece atemporal e é sempre agora!


-Helena Frontini-


Gênese


Amor, meu grande amor, ouve meu coração:
Bate célere, agitado, como se fosse voar.
Põe tua cabeça em meu peito e me adivinhe
com calma e acalma o frenesi desta emoção.
Cala a voz do meu anseio com beijos fecundos
e dá-me teu ar, para que eu possa respirar.

Entra em minhas entranhas e aí se aninhe
como se fossemos um só corpo gemelar...
Um só frêmito que nos arrebata do mundo.


-Helena Frontini-


Presente de Natal


Já escrevi minha cartinha para Papai Noel
Sem querer nada exagerado ou oneroso
para não sobrecarregar o bom velhinho.

Apenas a palavra AMOR enchia o meu papel
e como sei o quanto é delicado e bondoso
Vai dar o que pedi, ao menos um pouquinho!


-Helena Frontini-