terça-feira, 13 de julho de 2010


Magia


Nosso amor faz deste outono a eterna primavera.
Esqueçamos o inverno que bate à nossa porta
O instante feliz é presente e não admite esperas
Flores desabrochadas junto às folhas mortas.


Florescemos no calor ardente deste amor maduro
Distanciado do poente triste que nos fazia sós.
Deixemos que o inverno sorrateiro e obscuro
Seja de quem não se ama, como nós.


-Helena Frontini-

Inexplicável


Palavras são incapazes de definir
O amor que enternece alma e coração.
Nem mesmo a poesia de mil encantos
Ou a música de sons e tons elaborados
Reproduzem as nuances do sentir.

O amor é feito do pó tirado das estrelas
E da melodia emanada das esferas.
Tecido nos teares divinais...
Indefinido como os sonhos e os anjos
Indecifrável como a própria criação.


-Helena Frontini-

Tirania


Sempre fostes orgulhoso e altivo
Dono de verdades e conceitos particulares.
Até mesmo no amor, inconstante e lascivo
Movido por marés como todos os mares.


Tua palavra, única lei a ser obedecida
Empunhava-a como arma de sujeição.
Regras e normas numa rotina estabelecida
Até que me encolhesse de frustração.


Afinal dei um basta a esta tirania
Escapei de tua atração que me fascinava.
Escravos também têm sua hora de rebeldia
E partem como aves atordoadas.


-Helena Frontini-

quinta-feira, 8 de julho de 2010


Quixotesco


Vens com tua armadura de cavaleiro
Sonhos de combates e grandezas.
Trazes a lança em riste, longa e feroz
Buscando a amada encastelada.


Leal cavaleiro de trovas e valentias
Flechando o alvo de suas certezas.
Não deixes o real retirar-te a espada
Nesta monotonia definitiva e atrós
Pondo fim às tuas fantasias.


-Helena Frontini-

quarta-feira, 7 de julho de 2010



Um beijo teu...


Um beijo teu no breu escuro da madrugada
De improviso, despudorado, atordoante.
Na parede nua, no beco, no sigilo da arcada
A paixão lambendo cada poro ardente
Revigorada no proibido que nos consente
Temente ao mundo que nos separa.


Um beijo teu no imprevisto predeterminado
Rememora o fogo roubado dos céus.
Colam-se as bocas em gemidos alucinados
Corpos unidos ao desejo que se declara.
Desabrocham flores no ardor desse instante
E a nossos pés escorrem rios de mel.


-Helena Frontini-

terça-feira, 6 de julho de 2010


Fluir...


Não se importe se o mundo come tua poesia
Decapitando a inspiração numa ceifada.
O que consome neste momento de nostalgia
Logo estará em seu tempo de jornada.


Indiferenças despedem-se no rio caudaloso
Que segue sem pudores na rota traçada.
Guardar rancor é dominar um rio poderoso
Numa barreira que tem sorte selada.


Não se importe com o eterno fluir das águas
É natural que escorram para o mar.
Amanhã nem te lembrarás destas mágoas
Que tentaram te afogar.


-Helena Frontini-

A hora do lobo


Traiçoeiros são os pensamentos na madrugada
Quando o sono se perde à luz da lua.

Tenho receio do lobo que vem nas horas tardias
Faminto em busca da presa desavisada.

Seus dentes afiados mordendo planos e anseios
Levando para sua toca os sonhos incautos.

Muitos sonhos ficam escondidos na hora do lobo
E temem retornar quando chega o dia.

Depois a claridade vem exorcisando a escuridão
Bendito sol que carrega o medo embora.


-Helena Frontini-