domingo, 12 de fevereiro de 2012



Pânico


Tudo me escapa e se arrasta em desvario
No medo que desenrola seu fino aguilhão.
Até mesmo o verso, ainda mero arremedo
Prende-se ao ventre sem ânimo de parir.
Minha poesia é vela gasta até o pavio
E o sentimento arde-me à flor da pele,
Arrepiando os pelos da inquietação.


O pânico regurgita seus eflúvios azedos
Num travo que jamais desejei sentir.
Mas, vem desembestado e me fere
No corpo, na alma e na inspiração.


-Helena Frontini-

terça-feira, 24 de janeiro de 2012



Antecipação...


Tu fostes embora e eu fiquei...
O mundo não se acabou, como pensei
E tudo continua igual, fora de mim.
As mesmas flores decoram o jardim
A mesma vida, nasce, cresce, envelhece
Sob o mesmo sol que reluz e anoitece.


Meu coração pulsa fora do compasso
Agitado, à espera dos teus passos,
Enquanto os olhos vertem gotas irizadas
prenhes de saudades, não lapidadas.
Abdico do tempo que me foi dado
para reencontrar-te, meu bem amado.


-Helena Frontini-


Moto - contínuo


Não é pelo fato de eu me anular
que o resto do mundo hesita comigo
Lastimando meu ato de rejeição.

Tudo segue célere, seu rumo definido
enquanto me visto de autocompaixão
Prossegue a roda da vida a girar.


-Helena Frontini-

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



Sempiterno


Passa o tempo no caminhar das horas
levando a juventude a beleza e a graça.
Mas, o amor que sentimos e nos enlaça
permanece atemporal e é sempre agora!


-Helena Frontini-


Gênese


Amor, meu grande amor, ouve meu coração:
Bate célere, agitado, como se fosse voar.
Põe tua cabeça em meu peito e me adivinhe
com calma e acalma o frenesi desta emoção.
Cala a voz do meu anseio com beijos fecundos
e dá-me teu ar, para que eu possa respirar.

Entra em minhas entranhas e aí se aninhe
como se fossemos um só corpo gemelar...
Um só frêmito que nos arrebata do mundo.


-Helena Frontini-


Presente de Natal


Já escrevi minha cartinha para Papai Noel
Sem querer nada exagerado ou oneroso
para não sobrecarregar o bom velhinho.

Apenas a palavra AMOR enchia o meu papel
e como sei o quanto é delicado e bondoso
Vai dar o que pedi, ao menos um pouquinho!


-Helena Frontini-


O mundo lá fora...


Resguardei meus sonhos em trincheiras
Como se alí estivessem em segurança.
Não imaginei suas pretensões aventureiras
Desejo e liberdade em íntima aliança.


Pelas frestas agitam-se, pássaros frementes
Ante o mundo que proclama interação.
Encho o peito e num suspiro condescendente
Abro a guarda e solto-os sem direção.


-Helena Frontini-