quarta-feira, 18 de maio de 2011


A primeira vez...


Trago sempre comigo, certo sonho pueril
Aquele que em algumas tardes mornas
Agitava, qual vento doce a paz de meu coração.
O garoto que me olhava de soslaio pelo gradil
E deixava bilhetinhos na carteira da escola
Com desenhos e palavras coloridas de emoção.
Achando que seu anonimato fosse esconder
O nome de quem me amou a primeira vez.


Eu, em minha infantilidade repleta de pudor
Nada entendia do amor, uma flor ainda em botão
Sentia vergonha por estar assim, enamorada
E escondia a afeição que ameaçava florescer.
A insegurança deixou em suspenso a terna ilusão
E o silencio desarmou e afastou nosso querer.
Até hoje relembro este sentimento encantador
Meu saudoso ritual amoroso de iniciação.


-Helena Frontini-

Mãos de artista...

Tuas mãos possuem a arte eloquente
De um escultor que a tudo se atreve
Um dedilhar afinado e irreverente
Se em minha pele o cinzel, descreves.

Adejam quais borboletas flamejantes
Nos esporos entreabertos ao teu visgo.
Esvoaçam por sobre grutas e montes
Atrevidamente, provocando-me o riso

És pintor aspergindo tintas cambiantes
Que colorem meu corpo de emoção.
Pinceladas aleatórias na tela fremente
Maestria sensual de tuas mãos.

-Helena Frontini-

Procurado...


Onde o amor que juravas a todo momento?
Perdeu-se de nós como o dia que adormece
Indo acordar do outro lado do mundo.
Caminho errante à procura de tuas palavras
Que ainda fazem vibrar meu sentimento.


Se ao menos o eco as devolvesse.Mas, não...
O amor que me tinhas, some, desvanece
Como gota misturada ao mar profundo.
Esconde-se débil em todos os quartos e salas
E talvez, encontre-o morto no porão.


-Helena Frontini-

terça-feira, 12 de abril de 2011


Teu nome verdadeiro...


Por qual nome chamarei o meu amado
Quando a ausencia for inquietante
Tão muda quanto um relógio parado?

Ei-nos herméticos nos desencontros
Encostados num muro intolerante
Onde as pedras nos ferem o lombo.

Rostos assumem máscaras estáticas
Escondendo mentes intransigentes
Alheias à nossa dor sorumbática.

Não me olhem com olhos estrangeiros
Nem me prendam ao chão inexistente
Pois meus pés caminham ligeiros

Para o sentimento que me dará louvor.
Ao encontrar-te, trêmula e exultante
Chamar-te -ei: Amor...Amor...


-Helena Frontini-

De agora em diante...


Hoje, eu vou ficar em paz
Recarregar minhas energias
Sendo feliz ao meu lado.
Hoje, eu não vou me criticar
Por não ser o que eu queria
Nem fazer mais do que posso
Sendo maior do que sou.


Hoje, eu vou me amar
E me acreditar forte e bela
Porque hoje é um novo dia
Perfeito para recomeçar.
O agora, enfim me espera
Sem nostalgia...


-Helena Frontini-

segunda-feira, 4 de abril de 2011


Tempo roubado


Tenho que partir, pois faz-se tarde, meu amado.
Nossos momentos são do tempo, roubados
E a manhã já reflete-se em nosso leito irizado.


Vou, mas deixo todo o sonho que tenho a ofertar
A emoção do meu amor que nunca vai terminar
E a paixão do meu corpo que deseja ficar.


-Helena Frontini-

Na calada da noite...


Habitas em meus sonhos, como um falcão
Cujas garras misteriosas cavaram um ninho
Envoltas nas cobertas de minha emoção.
Tua coroa real, permanece intacta e bela
O cetro encostado num canto a esperar
Tua vinda, na calada da noite, ávido ladrão.


Meu corpo é como os montes que revoas
Quando o sono adormece a realidade
Tua presença ornamenta o leito de arminho
Um rei requestrando suas propriedades
Ajaezado de brilhos e imaginação...
Nos amamos e o eco da música reverbera
Na manhã que não deveria acordar.


-Helena Frontini-