terça-feira, 22 de março de 2011


Gran Finale


Foram-se embora amigos e amores
Sem que eu saiba o porque do abandono.
Dei o melhor de mim e só tive dissabores
Sou rainha entregando seu trono.

Não deveria ter me tornado poeta
Criado invejas e rejeitos que nem pensei
Minha vida era tão boa, segura e certa
Hoje pairo no limbo que eu mesma criei.

Porque não me contive no ostracismo?
Ninguem sabia de mim,nem mesmo eu.
Revelar-me só resultou no niilismo
De minha imagem que se perdeu.

Onde os amigos sinceros, impolutos?
Perderam-se diluidos na poesia.
E a mim, resta-me o poder absoluto
De por fim a esta tola fantasia.


-Helena Frontini-

Mais que perfeito...


Amo cada pedacinho de teu corpo adorado
Teu cabelo curto e generosamente grisalho
Teu olhar inteligente, tem pinceladas de mel
Numa doçura que sempre me leva ao céu.


Tua face, de pele dourada que me assanha
Ao sentir o sombreado da barba que arranha.
Tua boca de lábios firmes a abrir-se de desejo
E teu hálito de menta que convida ao beijo.


Teu pescoço que nunca está em dolencia
Num peito de poucos pêlos e muita ardencia.
Tuas mãos cariciantes e braços de perdição
Envolvendo-me em languidez e rendição.


Tuas pernas de andar firme e suave gingado
E teus pés, limpos, belos e bem cuidados.
Finalmente, amo o teu centro que me alucina
E queima-me inteira se te aproximas.


-Helena Frontini-

Aconchego


Abra os teus braços como asas
Que eu quero me aconchegar.
Teu ninho porejado de pragas
Rescende a palha seca e rançoza
Desfaz-se ao vento daninho
Levando em rodopio teu lar.

Fica comigo e te darei carinho
Frescor e um suave manto de rosas
Para juntos, outro ninho formar


-Helena Frontini-


Doces sonhos...


Que o veludo da noite
Cubra-te com seu manto estrelado...


-Helena Frontini-

Final


Aperto esta emoção em meus braços
Ela e eu de olhos duramente fechados.

Meu calor cobre-a de vida, indevida
Até que a razão escandalosamente grita:

Deixe enterrar-se o que morto está!
Abro os olhos e permito que vá...


-Helena Frontini-

Versos ao léu...


Meus versos proliferam como pragas
Pelo mato rasteiro do teu jardim.
O devaneio tateando um instante real
Como se existisses fora de mim.
Meus olhos fulguram em fogo e lava
Lavrando na mente a figura ideal


Vives na imaginação como a poesia
Desnudada em meu ardente folhetim
Fonte esfuziante jorrando fantasia
Caindo em teu silencio sem fim.


-Helena Frontini-

Predestinados


Perdemos nossa mocidade em caminhos distantes
Sem saber que existias e sem saberes de mim.
Nossa felicidade era plácida e um pouco hesitante
Recoberta pela poeira acetinada do esplim.


Esta melancolia doce de quem aceita e se aninha
Ao rotineiro que adormece anseio e fantasia.
Nossa história num repente tramou nova linha
Como um sol ardente rompendo o novo dia.


Não nos encontramos muito tarde ou fora de hora
Nossa chegança foi perfeita e predestinada.
Todos os descaminhos juntaram-se neste agora
Onde sonhos vão se abrindo como flores raras.


-Helena Frontini-