terça-feira, 8 de março de 2011


Limites

Há uma corda invisível delimitando meu espaço
Como se ultrapassada houvesse um poço profundo
Retentor de todos os encastelados.
Meus passos chegam à beira, atrevo-me, recuo
A corda aprisiona minha emoção como laço.
Grito e a voz vibra num eco, eco, eco...
Desesperado.

-Helena Frontini-

In vino...

Purpúreo é o vinho que vertes na taça
Desejo profano presente de Baco.
A seiva da uva esmagada e baça
Escorre da boca de desejos lúbricos
Num beijo embriagador e rubro.

-Helena Frontini-

Zeus


A chuva não tarda, escuto a trovoada
Abre-se o céu e despenca em inundação.
O sol escondido, o dia esboroado em gris
Fáz cachoeiras no telhado e lagos no chão.
A paisagem descortinada de minha janela
Tem cor de mágoa, rabiscada de giz
Riscos coruscantes na quase escuridão.


Estremeço ante a água que se encapela
Na natureza inclemente e comandada.
Quedo inerte, infimo membro da platéia
Ante o artista de tão vasta comoção.


-Helena Frontini-

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010


Rasante


Os ouvidos apurados escutam o timbre fino
dos seres alados e fantásticos.
Chamam meu nome, aceito seus encantos
Tentando-me com seus contos de fadas.
Ouso me elevar, dispo a roupagem
Fascinada por seus chamados.


Os pés traem o desejo, limitam a vontade...
Fito os olhos no céu em aflição
À espera que me nasçam penas ou asas
Que me elevem do chão.


-Helena Frontini-

Segredos


Conta-me teu desejo, aquele que mora
nos redutos permitidos da imaginação.
Desvenda em meu colo de amante súplice
teu sonho reprimido e sem vazão.
Meu braço segurará tua cabeça amada
Minha boca selará nosso segredo cúmplice
Nascido da paixão que nos devora.


-Helena Frontini-


Estrela mãe


Brilha o sol detrás das nuvens como moeda luminosa
Vem tímido como se pedisse licença para entrar
Na casa que lhe pertence e à qual faz jus.


Sinta-se à vontade minha estrela quente e cariciosa
Sem tua presença a noite gelada iria se eternizar
Seríamos toupeiras cegas em busca de luz.


-Helena Frontini-

Ilusão


Tirastes de mim a flor rubra sem espinhos
Iludida por teu instante de paixão.

Há pétalas de rosas caidas pelo caminho
Vais distraido sem olhar para o chão.

Nem imaginas que a flor do meu carinho
Morreu despetalada por tua mão.


-Helena Frontini-