sexta-feira, 7 de maio de 2010


A cor do amor


Meu coração é atraido por sua ternura
Como a abelha encanta-se pela flor.
Heliotrópio, almiscar, rosas, jasmim...
Seu carinho um perfume exótico e raro
De aroma sutil e embriagador.


Meu coração é rendido por sua doçura
Atos e afagos embalados em amor,
Néctar destilado de sua alma amorosa...
Perde o ritmo e a cor avermelhada
Pulsa feliz em cor de rosa.


-Helena Frontini-

quinta-feira, 6 de maio de 2010


Uma certa mãe...


Era mulher tímida, vinda do interior.Veio para a cidade grande trazendo esperança,
acompanhada do marido,vendedor.Chegou embuchada do filho varão que não vingou.
Vida dura de sacrifícios e dores. Pouco dinheiro e trabalho de montão.
Nunca soube dizer palavras doces,mas os atos diziam o que a boca silenciava.
Vieram mais filhos e o tempo passou. Escrava do lar e do marido turrão.
Sem quem a ajudasse,logo se acabou. As rugas chegaram e os netos também.
Depois vieram as perdas inevitáveis: Marido,filhos,netos,amigos e parentes afins...
Acostumou-se a muito sofrimento e pouca alegria, mas este pouco lhe bastou.
Nunca se queixou do destino e da sorte.Sempre quieta,forte,simples,valente.
Parca de carinhos e vasta de amor.


-Helena Frontini-


Verso e reverso


Se eu digo pau, tu dizes pedra Se eu digo flor, tu dizes espinho.
Se eu digo nuvem, tu dizes chuva.

Sempre contrário nosso pensamento, eterna divergencia de opinião.
Mas, quando falamos de nós, não há erro, não!

Se eu digo meu, tu dizes minha. Se eu digo quero, tu dizes agora.
Se eu digo amor, tu dizes paixão.


-Helena Frontini-

terça-feira, 4 de maio de 2010


Plenos poderes


Meu querer é um fruto doce e desconhecido
Madurado na árvore de minha emoção.
Vejo sua cor flamejante encostada no céu
O sumo escorrendo de sua carne madura.
Queres, por minhas mãos ser colhido
Deixando o sabor delicado em minha boca
Tua polpa feita de sal e mel...


Estás alto, inacessível ao meu desejo
Num galho perigoso desta imensa gastura.
O temor não permite que venhas inteiro
Despencar em meus carinhos...
Busco asas que me elevem à sua altura.
Asas de anjos, fadas ou passarinhos
Rumo ao fruto desta paixão.


-Helena Frontini-

segunda-feira, 3 de maio de 2010


Por todos os dias



Teu amor é o pão diário que me alimenta

A água cristalina que mata minha sede

Em teus braços meu corpo se farta

Não precisa mais nada.



-Helena Frontini-

Impotencia


Fique um pouco mais enquanto é dia ainda.
Nessa hora,minhas mãos são de guarida
E os olhos ardentes, faróis a te resguardar.
Não te vás antes que o dia escureça
Tenho medo da noite, como um poço sem fim
Em que cairás sem tempo de despedida


Quizera um sol eterno a te envolver e flores
Todas as que eu conseguir carregar,
Para que vicejes nestes braços impotentes
Neste instante,nesta hora,neste lugar.
Não te vás quando o breu gritar teu nome
Para levar-te tão longe de mim.


-Helena Frontini-

Sem inspiração


A poesia, às vezes some no espaço e no tempo
Tomando rumos alheios à minha vontade.

Incorpora um pássaro livre, destronado do lar
À cata de abstrações e temas renovados.

Pobre mente imaculada neste papel em branco
Borda caricaturas e borrões assustados.

Meu verso aguarda exitante e sem significado:
Nada crio, nada faço, a não ser esperar...


-Helena Frontini-