domingo, 10 de janeiro de 2010


Volátil


Quando lembro de ti é sempre noite.
Àquelas horas em que o sono se perde
Na escuridão profunda e aveludada.
Teu aroma se avoluma pelo quarto
Teu cheiro misturado ao do meu corpo:
Benjoim,almiscar.lavanda sazonada...



E tua imagem vem como num sonho
Totalmente distorcida e desfocada.
Há muito já te perdestes no tempo
De minha saudade e esquecimento.
Espectro vagamente recordado...
Só teu perfume insiste em me buscar
Nas minhas noites insones.



-Helena Frontini-
(Pres.aut.)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010


Mea culpa


As flores de meu jardim morreram todas
Por falta d'agua,carinho,paciencia...
Abandonadas no desleixo de maus tratos.
Descuidei-me em demasia de meus amores
Fui jardineira relapsa e imprudente
Olhos cegos de ver a beleza que me pertencia.
Até mesmo o belo se aborrece no fim...
Ervas daninhas acobertaram cada flor
Numa invasão silenciosa e mortal.
A incompetencia exterminou meu jardim
Dobram os sinos para o funeral.


-Helena Frontini-
(Pres.aut.)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010



Casa de marimbondos


Abriu-se a caixa de Pandora
E todas as iniquidades vieram à tona.
Sei que não deveria libertar segredos
Mas, atrevi-me a querer saber.
A curiosidade foi minha perdição,
E a tua e a de toda a gente.
Os pecados soltaram-se no mundo
Afoitos, afeitos, afetados, aflitos.
Quem os colocará de volta?
Esperança,Esperança...Fique comigo!
Meu coração chama-te e não me ouves.
Vagueia minha alma a pedir perdão
E não encontra resposta.


-Helena Frontini-
(Pres.aut.)

Desanimante


De vez em quando o desânimo se achega
Me abraça apertado e se deita comigo
Cochicha em meu ouvido os meus atos ridículos
E depois dorme,deixando-me entediada.
Bate em mim um cansaço de tudo e de todos
De invejas, ciumes, intrigas, amores...
Vem a vontade de virar pedra ou musgo
Que se agarra na pedra para sobreviver,
Assim como me prendo na palavra e na poesia
E deixo que o resto se afaste ou se perca
No vazio que se torna viver.


-Helena Frontini-
(Pres.aut.)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010


Infrutífero


Sempre tive um modo especial de te amar.
O meu certo talvez te fosse desnorteante,
Assustador demais por entre tantas juras.
Dei-te o melhor,desnudando-me inteira
Não soubestes ver o desejo entonteante
Que não era de posse e sim de ternura.

Querias a liberdade de um amor casual
De festas, de risadas, de brincadeira,
Nada que comprometesse teu emocional.
Fui campônia sem valia a semear amores
Plantado em solo errado para vicejar
Numa terra onde nada cresce devidamente.
Não querias frutos,somente as flores.


-Helena Frontini-
(Pres.aut.)

domingo, 3 de janeiro de 2010


Segredos de alcova...


Teu amor é um doce prazer a me fascinar
Neste querer maduro que me inebria.
Tua presença que me domina e contagia
Na vontade sensual de me aventurar.

Teu corpo bronzeado e de talhe esguio
Quando me abraça nos damos um nó.
Tuas mãos sôfregas me apertam sem dó
E mais te quero e menos me desvio

Desse abraço alucinante e sem freios...
Me achego, me encosto, me embaraço
No calor de teu peito.E me perco e me acho
Se teus lábios encontram meus seios.

Mais não digo que não permite a poesia
A devassar meus segredos e meu amor,
Por este homem que me consome de ardor
E a quem desejo dia e noite, noite e dia.


-Helena Frontini-
(Pres.aut.)

sábado, 2 de janeiro de 2010


Frutos dourados


Semearei meu amor em campos férteis
Terra boa, adubada de ternura e emoção.
Minhas sementes irão espalhar-se e proliferar
Na terra sagrada e abençoada do coração.
Não mais dispersas ao vento e dizimadas
Ou crescidas nas pedras da decepção.


Saberei escolher o solo propício e farto
Onde este sentimento far-se-á germinação.
Meus brotos surgirão cobertos de flores
Pomos sazonados que outros frutos trarão.
Não se perderá tão excelso sentimento:
Amor nunca nascerá em vão.


-Helena Frontini-
(Pres.aut.)