terça-feira, 22 de março de 2011


Olhos vermelhos


O amor encontrou-me de olhos abrasados
Lágrimas plasmadas em sentimentos falidos.
Deu-me seu fascínio de misterioso aparato
Adoçou meu corpo com seus frutos proibidos
Lavou-me a dor numa enxurrada de beijos.


O amor veio bebendo as águas do meu pranto
Anunciou sua beleza sem alarde e sem espelhos
Sua graça elevou-me ao poder do seu encanto
E nunca mais meus olhos ficaram vermelhos.


-Helena Frontini-

Carpe diem


O azul do céu é puro como um cristal.
Nuvens pinceladas escorrendo na tela...
Abençoado artista de concepção tão bela
Com seus dons de maestria divinal.


A clara manhã nasce de parto natural
Gerada pelo criador de todas as esferas.
Como criança ergue os braços e espera
Seja bem vindo um novo dia especial.


-Helena Frontini-

Contrassenso...


O homem olha a terra e pisa com cuidado entre troncos ressequidos e queimados.

Ontem a verdura luxuriante e benéfica e hoje a profusão de árvores esqueléticas.

Estes campos por tantas vezes fecundados perderam-se no abandono improvisado.

Uma carreta veio com entulho e tralha e muitas outras no processo vil e canalha.

Formaram-se ilhas de perene combustão, detritos e dejetos desfeitos em podridão.

Olha para os céus e clama por caridade pelo descaso de quem governa esta cidade.

Vira as costas e arremessa seu cigarro no chão avivando ainda mais o fogo do lixão!


-Helena Frontini-

Por amar-te...


Colhi flores por entre a relva ainda molhada
Água da fonte e mel de laranja perfumado
Para alegrar-te, meu rei coroado...


Debulhei o milho e confeitei roscas douradas
Trouxe do pomar frutos recem maturados
Para ofertar-te, meu poeta encantado...


Refinei minha voz ao timbre das musas aladas
Adocei meus lábios com açúcar perolado
Para acordar-te, meu bem amado...


-Helena Frontini-

Reviravolta


A cada dia trago-te o perfume dos meus versos
Palavras doces embalando cançôes vibrantes
Músicas e poemas para teu deslumbramento.


Teu amor transforma minhas rimas em gestos
Minhas melodias em um bailado de amantes
E a poesia faz-se nua no ardor deste momento.


-Helena Frontini-

Enluarado...


Pela fresta da janela vem um raio de luar
Pousa suave em teu rosto amado.


É como se a lua inteira mudasse de lugar
E deitasse na cama ao meu lado.


-Helena Frontini-

In memoriam


Suave como a chuva que revigora a plantação
Derramam os olhos suas águas de bondade.
Pranto vertido sem os laivos da aflição
Borrifam ternamente as flores da saudade.


A querencia que agora habita outra paisagem
Abraça minh' alma num constante regozijar.
A felicidade que carrego na bagagem
Faz-me rir, mesmo se os olhos estão a chorar.


-Helena Frontini-