segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



O rio e a pedra


Toda placidez vem do teu rio que me acolhe
Densa corrente, esmerilhando dor e desdita.
Tua energia que invade, pura e energizante
Inundando a pedra seca da minha vida.

Dá-me tua mão, líquida concha borbulhante
Mas, deixa-me sorver até o último gole.


-Helena Frontini-


Modus operandi


Tento ser leve como borboleta
Ao adejar por este amor sem me iludir.
Sei que seu intento é ter-me cativa, me dominar
Sufocante prisão que vai me consumir
Batendo-me nas paredes, lapidando minhas asas
Até que eu não possa nem esvoaçar.


Amor não é servidão, meu rei obstinado!
Se enclausuras o ser amado, não sabes reinar
E me obrigas a voar em outra direção.


-Helena Frontini-


Dia de consciência é todo dia...


Não deveria existir uma data evocando a consciência negra,
ou a consciência branca, vermelha, amarela, marrom...
Pois a irmandade entre as raças deveria ser encarada como devoção.
Racismo e segregação, foram criados pelo homem e sua leviandade
Desfazendo as leis de um Deus, onisciente, amoroso e justo.
Que cada um faça a sua parte erradicando esta chaga aviltante
Para que num futuro bem próximo, todo sejamos irmãos.


-Helena Frontini-


Elementos


Tu chegas envolto em fogo e lava
Trás nos olhos uma lua escancarada
Nos lábios o gosto de mel e sal.
Teus cabelos são crinas tremulantes
Num corpo rijo como o cristal.
Mãos que deslizam orvalho e néctar
Na terra fértil da amada.
Entrelaçam-se trepadeiras ululantes
Espalhando esporos pelo ar.


-Helena Frontini-


Amar, nunca é em vão!


Tudo o que se faz por amor e com amor é perfeito.
Quem ama encontra o seu modo e seu jeito
de ser feliz e demonstrar o amor em cada momento.
Dure o tempo que durar é o amor que nos dá alento
e mesmo que termine em mágoa ou resignação,
ainda assim sua marca é indelével em nosso coração.


Não fuja do amor, por medo de se desiludir ou sofrer,
pois sua força é tão nobre que nunca irá se perder.
Ame da sua maneira, aquela que se faz única e especial
E sinta que amar e ser amado é um dom celestial.


-Helena Frontini-


Saciedade


Deste amor extraio o pão e o néctar
Nutro a alma e saboreio o céu.
O corpo farta-se do etéreo manjar
Da paixão que sabe a sal e mel.


Sacio fome e sede de fantasia
Das palavras com que me alimento.
Basto amor que é carne e poesia
E fartamente me dá sustento.


-Helena Frontini-

Eis-me aquí, nesta praia vazia
Absolutamente fria e só.