quinta-feira, 19 de maio de 2011


Renovação


Vou cuidar melhor da minha vida
De meus afetos, de meus sentimentos.
Uma magia toldou-me a consciencia
Encantamento que me fez entorpecida
Desatenta aos preceitos do amor.


Meus bens são preciosos em demasia
Para serem trocados por ilusão
Como emoções desprovidas de valor.
Venha Luz, inebriar-me de alento
Renovando a paz de meu coração.


-Helena Frontini-

Bodas de prata


Com emoção comemoramos nossas bodas de prata
Vinte e cinco anos do sonho que sempre quisemos.
Laços sublimes repletos de bençãos e graças
Que hoje, contritamente à Deus, agradecemos.


Sempre unidos nos esmeramos na caminhada
Enquanto o tempo ia ligeiro sem o percebermos.
Os altos e baixos que surgiram na jornada
Nos tornaram cúmplices no pacto que fizemos.


A vida nos quis eternamente de mãos dadas
Com o mesmo amor de quando nos conhecemos.
Hoje, derramam-se dos céus, luzes prateadas
Abençoando os anos felizes que já vivemos.


-Helena Frontini-

quarta-feira, 18 de maio de 2011


A hora certa...


É noite, outra noite insone a me envolver
Pergunto à minh'alma solenemente atenta
Qual a hora certa em que virá o esquecimento.
Será que vem num ímpeto esvaziando o peito
como um balão estourado por mão caridosa
Ou vem devagar como um rio que mansamente
Corre entre as pedras miúdas do meu tempo?


A noite segue seu itinerário sem perceber
Que em mim tudo está singularmente diferente.
Exaurido do sonho diário que não mais aflora.
Só eu sinto a dor que se avoluma e se enrosca
E pousa a cabeça em teu travesseiro.
Qual a hora certa em que virá o esquecimento?
Não sei e não há quem possa me dizer.


-Helena Frontini-

A chegada


Hoje não é apenas mais um dia
Desses que lembram cinza sem graça.
A felicidade veio me fazer companhia
Colorindo a manhã de ouro e prata.


O amor chegou trazendo a alvorada
Acordou-me com a música do seu riso.
Deixou portas e janelas escancaradas
Apaixonado e um pouco sem juizo


No jardim colheu flores em braçadas
Acendeu o sol da harmonia bendita
Em seu coração me fez aconchegada
Súdita e rainha em sua vida.


-Helena Frontini-

Terminal


Hoje quando penso em ti são vestígios
Rastros de teus passos, restos e resquícios.
Aquele amor ardente repousa em negrume
Indefinível flor que mal exala perfume.


A tua ausencia não queima, nem perfura
Deixou de ser instrumento de tortura.
Minha dor aquietou-se à tua sombra
E na sombra ficou, adormecida e tonta.


Como uma mariposa de asas queimadas
Pela chama que outrora viu-se encandeada.
Não te esqueci, mas guardo-te sem aflição
Um sonho a mais perdido no coração.


-Helena Frontini-

Laços eternos


Eu te amo com um amor antigo
Quando me trazias atada a um cordão.
Era tua a comida que repartias comigo
Pelo tempo que durou a gestação.

Eu te amo no primeiro choro uivante
Onde, num hausto abriu-se um clarão.
Tuas mãos temerosas e exitantes
Acalmando os medos com mansidão.

Eu te amo desde que me destes o seio
Túrgidos no ardor da amamentação.
Os braços quentes de amparo e esteio
Olhar amoroso velando com atenção.

Eu te amo antes de nascer, mãe querida
Antes do momento da concepção.
Fui destinada a ser parte de tua vida
Pelo Sagrado que anunciou nossa união.


-Helena Frontini-


Tu vais saber...


Quero escrever-te palavras que não costumo
Deixar que bailem em meus versos tortos
Tirá-las maduras do casulo soturno
Onde repousam em meu silencio absorto.


Quero envolver-te numa poesia verdadeira
Aquela, que amantes revigoram-se ao ler.
As emoções incandescentes setas certeiras
Que atinjam o âmago do teu ser.


Quero encantar-te com um amor poetisado
Sem meios-termos, à ponto de extravasar.
Não direi teu nome, pois que me é sagrado
Mas, tu vais entender e talvez, chorar...


-Helena Frontini-