terça-feira, 20 de julho de 2010


Incógnito


Quisera desnudar teu nome em um poema
Teu nome de poeta com todas as letras.
Deixar que a verdade escrita em fonemas
Devasse mundos além deste chão.


Quisera gritar teu nome se a poesia some
Resguardada à sombra da nostalgia.
Avivar o fogo intenso que espera insone
Teu ser gravado no centro da inspiração.


Quisera revelar teu nome de modo definido
Oculto no emaranhado que te agracia.
Para que meu verso seja leve e destemido
Rimado na poesia desta paixão.


-Helena Frontini-

Inexplicável


Palavras são incapazes de definir
O amor que enternece alma e coração.
Nem mesmo a poesia de mil encantos
Ou a música de sons e tons elaborados
Reproduzem as nuances do sentir.


Amor é feito de fio gerado no cosmos
E da melodia sublime das esferas.
Tecido nos teares divinais...
Indefinido como sonhos e anjos
Indecifrável como a própria criação.


-Helena Frontini-

sexta-feira, 16 de julho de 2010


Vazio


Minha poesia esta coisa bandida feita de traves
Retida em versos de rimas escusas e aflitas
Quebra-se em pedaços quando assiste o erro
De ver-se tolhida por laivos de banalidade.
O breu encobre o céu estrelado e a deusa branca,
Somem estrelas com suas arestas pontiagudas
E mentirosas, sem ponta alguma.

Adoto um ar descontraído e blasé
Rondando o atrevimento de palavras andarilhas
Retiradas do poço fundo de minha limitação:
Pobres como os que mendigam na rua
Sombreadas como noites sem lua.


-Helena Frontini-

terça-feira, 13 de julho de 2010


Mágoas...


Não quero mais estes olhos molhados
Nem criar desculpas para o choro velado:
Areia, um cisco, o vento...Mentiras!
Quero de volta a lucidez que me roubastes
E meu sossego desfeito em tiras.


Meus silencios são caóticos e enervantes
Tua figura assomando em cada canto.
Chegas à revelia de modo desconexo
Germinando mágoas à todo instante
Florindo meu desencanto.


Não quero mais o choro secreto
Nem gastar-me neste jogo sem valor
Minando minhas águas neste pranto.
Nunca merecestes meus afetos
Muito menos minha dor.


-Helena Frontini-

Flor de mel...


Se uma gota de teu mel pousasse em minha boca
Meus lábios seriam doces como néctar de flor.

Teria que correr gritando até ficar rouca
De abelhas confusas, querendo sugar teu sabor.

Arrisco tudo por teu gosto que me deixa louca
Então, beija-me logo, doce amor!


-Helena Frontini-

Reencontro


O que almejava, procurei por tempos sem fim.
Fui do céu ao inferno na busca desejada.
Do alto da montanha às profundezas estelares
Do deserto indigesto ao mais perfeito jardim.


Aos deuses clamei prostrada em seus altares
Implorei aos homens um tanto de lucidez
Não houve clemencia de terras, mares e ares
Tempo gasto em promessas e prodígios.


Depois de temores, desencantos, insensatez
Surge minha luz norteando a estrada:
Descobri dentro da alma o ponto de equilibrio
A serenidade que é parte de mim.


-Helena Frontini-

Sons noturnos


Na casa ao lado, lamenta-se um violino
Canção dolente acalentando a noite
As notas prolongadas na escuridão.


Em nosso leito, estremece uma sinfonia
Sons retumbantes acordando a noite
Nosso amor consumido em exaustão.


-Helena Frontini-