quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010


Pulsação


Meus desejos secretos são contidos
Habitam o cerne de um vulcão.
Esperam na lava incandescente
Rendidos às pedras e cinzas antigas
De tempos de dormencia.
Aguardam e um sismo se aproxima
Sinto o pulsar no centro macio.
Explodem em chamas vermelhas
Labaredas de paixão.


-Helena Frontini-

Nudez


O amor veio dando-me vestes de rainha
Arrancou todas as flores do jardim
Cobrindo-me de perfume e doce pólen.
Por momentos embalei este sonho irreal
Curta duração das fases da lua...


Nem reparei que a roupa não era minha
E o amor brincava de me querer.
Não iria durar, que as flores morrem
Quando tecidas numa roupa de mulher.
Foi-se o amor deixando-me nua.


-Helena Frontini-

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Ultimo páreo


O tempo é como um corcel desembestado
Deixando poeira enquanto corre fatal.
Meus dias se escoam em ritmo disparado
No galope acelerado da reta final.


Ontem era criança a voar pelos corredores
Repleta de risos, o futuro pela frente.
Criei um jardim,colhi amores e dissabores
Teci a trama e lançei minhas sementes.


Hoje giro desnorteada neste torvelinho.
Mal concluída minha empreitada
Chega o corcel atropelando meu caminho
Cascos afiados como uma espada.


-Helena Frontini-

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010


Anjo


Lancei-me na fonte de teus prazeres
E perdi-me de amores por ti.
Deve haver uma componente raro
Neste teu corpo claro de querubim.

Talvez o teu cheiro de fruta madura
Ou teu gosto lembrando sapoti.
Quero beber desta fonte milagrosa
Até minha sede ser saciada

E esta loucura que tem o teu nome
Jorre sempre dentro de mim.


-Helena Frontini-

Descompasso


Não sei se o tempo foi amigo gentil.
Não sei se os revezes fizeram-me melhor
Mais forte,segura e serena...
Não sei se a dor tornou-me mais humana
Ou o contrário de tudo isso...
Por vezes penso no passado e descubro
Que meu riso era mais fácil
Meu silencio não era de solidão
O cansaço um momento passageiro.


Não é fácil acompanhar esta mudança
Ser por ela engolida de roldão.
Trago cicatrizes no corpo e na alma
E sigo vivendo aos arrancos
Porque é precisa e imutável esta sorte.
Não sei se o tempo foi amigo gentil.
Não sei.


-Helena Frontini-

domingo, 7 de fevereiro de 2010


O dom de voar


Quero voar com voce nas asas da imaginação
Ver o mundo com olhos deslumbrados.
Aceitar este vento bondoso a nos envolver
E nos levar muito além deste chão.
O amor já nos deu seu recado:
Somos pássaros livres em nosso querer
Seres alados em total comunhão.


-Helena Frontini-

Sons noturnos


Na casa ao lado lamenta-se um violino
Canção dolente adormecendo a noite
Notas prolongadas à exaustão.


Nosso quarto estremece numa sinfonia
Sons retumbantes acordando a noite
Amor que consome em rendição.


-Helena Frontini-