sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


Chama apagada


Se um dia tua vida se encontrar com a minha
Não me olhes que teus olhos me trazem dores.
Fostes em meu caminho como a erva daninha
Que consome o jardim e mata todas as flores.


Achei que eras vinho,seleta colheita da vindima
Numa mistura de especiarias finas e caras.
Ao provar, eras salobro,agua parada na moringa
Sem a nobreza que surge de uma casta rara.


Matastes os meus sonhos com tua crueldade
Afundastes em mim as tuas mãos sujas de lama
Até minha alma sentir-se pobre e aturdida.


O tempo abriu-me os olhos para a crua realidade
E deu-me a medida exata de tua chama.
Não eras luz, só fogo fátuo a assombrar a vida.


-Helena Frontini-

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Procurados


Embalei meus sonhos em papel de presente
Numa caixa amarela e um laço dourado.
Repousam quietos na dormencia da mente
Esquecidos de mim e jamais perturbados.


Criam teias de aranha os sonhos não usados
Acabam embolorados em velhas prateleiras.
Num repente abro a caixa,os nós desatados
Procurando limpá-los da imensa poeira.


Os sonhos escapuliram todos em liberdade
Criaram asas que nem pensei existissem
Desertaram e se foram mundo à fora.


Eu os esqueci e encaixotei é bem verdade
E nada mais justo que sumissem
Vou trazê-los de volta e vai ser agora!


-Helena Frontini-

Felicidade


Levarei lirios brancos e puros ao te encontrar
Uma braçada de lirios embalados em paz.
Paz generosa que me transmites todos os dias
Tornando meus dias uma canção de ternura.
Ternura parte essencial do nosso amor...
Amor maduro que me envolve em alegria
Alegria que se traduz em felicidade
De amar e ser amada.


-Helena Frontini-

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


Opressão


Perambulam pessoas no vasto campo daninho.
Mentes secas,vazio,abandono,desolação...

As dores misturadas à ignorancia do caminho
Matam sonhos e cada um vai só em seu destino

Todos roubados na honra e na segurança.
Até que pareçam iguais,contidos cordeirinhos.

Vem à luz um universo caótico e desconhecido
Parido em terras de ódio, e segregação.

Estranha esta conduta humana de retrocessos
Desfazendo o poder Maior de forma letal.

Quem os salvará do carrasco desumano:
Deus,a Justiça,o Homem bom,um ser espacial?

Enquanto nada acontece e mude o processo
Aflitos, dormem de olhos abertos.


-Helena Frontini-

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


Meu filho


Meu menino era um pássaro delicado
Alvo como a neve nas montanhas
Olhos azulados que lembravam o mar
Trigo queimado em seu cabelo claro.
Perfeito como um instante de paz...


Quando apareceu um anjo segredou:
Ele fica,mas por tempo limitado.
Um limite tão pequeno e tão fugaz!
Retornou à sua morada nas estrelas
Deixou a saudade em seu lugar...


-Helena Frontini-

Ponto final


Olhe-me mais uma vez antes que eu me vá.
Dize-me as palavras que nunca soubestes.
Conte-me do medo que sentes desta solidão.
Pede-me que eu permaneça e reconsidere.


Olho-te pela ultima vez e não me arrependo.
Digo-te não haver palavras que me prenderão.
Conto-te do amor acabado e da liberdade.
Peço-te que me esqueça,estou indo embora.


Deixo-te com os olhos velados em descrença.
Vou-me com os olhos abertos de esperança.


-Helena Frontini-

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


Coragem


Vives nesta casa miúda feita de assombros
Encolhida de sentimentos e emoção.

Cuida, que o coração grita alto e vai fugir
Da prisão imposta por tua insegurança.

Precavida e incerta é a morada da solidão:
Armadura rodeada de escombros.

Há que sentir o pulsar latejante da veia
E querer como querem as crianças.

Vontade! Que a vida é risco e paixão.
Basta abrir a porta e sair.


-Helena Frontini-